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Concurso Cultural 

"Universo da Fala" 

"Todas as noites costumo contemplar a beleza do céu, tão imenso, misterioso, cheio de estrelas… estrelas que vemos de longe, irradiando toda a sua imensa luz. Por uns minutos, me pego com o pensamento longe, me questionando a grandeza do universo, dos vários mundos e sóis que admiramos de longe e que, de fato, pouco conhecemos ou sabemos. É estranho imaginar que isso possa se dar com a própria humanidade que se atém à superfície. Todos os dias nos deparamos com pessoas novas, desconhecidas e conhecidas, cada uma com um mundo próprio e uma forma diferente. O engraçado é que algumas dessas pessoas pensamos, com absoluta certeza, conhecer; assim como pensamos que conhecemos uma estrela apenas pelo que vemos dela em sua superfície. Dessa forma, deixamos de considerar a individualidade e a peculiaridade de cada mundo, vasto e rico em suas profundezas, nos esquecendo que o que vemos é apenas uma miragem de tudo isso, como quando contemplamos a luz de uma estrela no céu e não podemos de fato ver além do que ela se mostra para nós na escuridão da noite. Da mesma forma, tudo isso se dá em relação às pessoas e, na grande maioria das vezes, não nos damos conta disso. Então, negligenciamos a principal ferramenta que possibilita um conhecimento mais solene e uma visão ampla, tanto de outros seres quanto de nós mesmos, a fala, uma forma de arte e expressão intrínseca do ser humano, tão nobre e sublime, capaz de romper barreiras e possibilitar a construção de histórias e sujeitos. Assim, ela não se circunscreve a ela mesma, indo além de qualquer âmbito humano, se revelando como primordial para o conhecimento de outros mundos. 

Indubitavelmente, é preciso considerar que vivemos em uma sociedade que não nos deixamos cativar, aprofundar… assim, perdemos toda uma grandeza por isso. Nos comunicamos, mas deixamos de falar com a alma, com a sinceridade e com o coração aberto; deixamos de ouvir e sentir a profundidade do outro, quando ele se expressa verdadeiramente; uma das milhões de coisas que uma modernidade líquida sufoca. Não há fala, há apenas papos egocêntricos e superficiais, não se escuta quando o outro fala ou quando nossa alma se expressa. Logo, essa comunicação superficial apenas demonstra a miragem de um mundo, quase nunca fidedigna, de um universo que vai além de tudo isso. Nesse sentido, não sabemos nada além do que nos é mostrado, do que é compartilhado e perdemos a magia de uma verdadeira relação humana, perdemos a oportunidade de vermos a verdadeira grandeza que há no outro, por pensarmos conhecê-lo somente pelo que há na superfície, não havendo exploração de tudo que há de mais singelo em uma comunicação. Mediante isso, para ir além, conhecer toda a profundidade e complexidade de um indivíduo, é preciso mais, é preciso que se abra para isso, que se conecte com o mais profundo do outro, compreendendo, respeitando e ouvindo de fato tudo o que o outro diz com a alma, há sinais por trás da fala que permitem que dois universos se conectem e se aproximem, sendo assim, a fala é uma verdadeira ponte entre mundos.

Portanto, quando os indivíduos verdadeiramente se abrem para expressarem sua alma e admirarem a alma do outro, é possível ver a clareza e a beleza de um universo vasto e infinito, em possibilidades e formas. Expressar o que a alma sente é permitir se deixar conhecer e conhecer os outros, e não existe outro caminho se não pela fala sincera, uma ponte entre mundos que nos permite ver além daquilo que se mostra na superfície. Existem muitas coisas que se percebem e que se curam quando se realiza isso. Um corpo padece diante de uma alma que se cala, dessa forma, não existe cura sem a libertação que o poder da fala proporciona, seja ela emocional, física ou psíquica. Suprimir aquilo que se pensa ou sente é porta para uma tristeza sem fim, para uma vida vazia, para uma superficialidade nada satisfatória. Cada ser humano é um universo, complexo por si mesmo. Quando praticamos a arte da fala, da fala sincera, falada e sentida, conseguimos transcender o comum e às aparências nas relações. Então, se permita, se expresse, FALE, FALE com a alma e saiba admirar quando as pessoas também fazem isso. Busque e tome para si o poder da fala e verá o quão resplandecente e vasto é o infinito dos mundos, dos seres, dos universos e das possibilidades. "

                                     SAIBA MAIS SOBRE A OBRA:
“Cada ser humano é um universo, complexo por si mesmo. Quando praticamos a arte da fala, da fala sincera, falada e sentida, conseguimos transcender o comum e às aparências nas relações. Diante disso, podemos ir além e conhecer um pouco melhor do íntimo de cada pessoa, suas histórias e cicatrizes. A sociedade está muito acostumada à superficialidade, não há uma comunicação efetiva, em que uma pessoa pode de fato compreender a outra até pelas entrelinhas da fala. No contexto médico, isso é mais complexo ainda, em que o médico precisa saber ouvir, respeitar e conhecer a alma do outro por trás da dor.”

"Stilhett"

Stillhet - Rafael Torres Horta de Araújo.jpg

                                     SAIBA MAIS SOBRE A OBRA:
"Àqueles que não conseguem gritar por socorro; que sentem o peso do próprio existir os sufocando e deixando suas peles cianóticas; que começam a crer que pular de uma ponte em um fiorde poderia ser uma escapatória. “Stillhet” – silêncio em norueguês - busca mostrar o mundo de pessoas que lutam sozinhas contra seus demônios e não conseguem procurar ajuda, o que resulta em um isolamento físico e mental, bem como em alterações internas e na percepção do externo. A obra mostra o poder que o silêncio pode ter sobre nós e como a fala pode nos libertar de nós mesmos."

"Quem cala consente"

"Quem cala consente

Se afoga doente

Aceita o sintoma

Que se estende ao soma

Transbordando a mente

 

No palco da fala

O fala(dor) destaca

A palavra é sagrada

Te corta e te sara

Te salva e te assalta

É uma faca bidente"

                                     SAIBA MAIS SOBRE A OBRA:
“Em meio às mágoas e aos rancores que vivenciamos, a fala traz consigo a cura perante aquilo que nos foi inconscientemente enterrado na tentativa falha de atingir o esquecimento.”

Palavras não ditas

Palavras não ditas - Maria Luiza Vianna.jpeg

                                     SAIBA MAIS SOBRE A OBRA:
“Quem nunca deixou de dizer algo com medo da reação do outro? Por medo e ser julgado, de machucar quem ama, ser excluído, mal interpretado, por não parecer idiota ou apenas para ser aceito? Quantas vezes deixamos de dizer a alguém o quanto ela é importante em nossas vidas pelo medo de ser rejeitado? E o que algo tão poderoso nos causa quando é aprisionado dentro de nós mesmos, sem ter pra onde ir? Exatamente.... as palavras ficam entaladas em nossas gargantas e é como se nos sufocassem aos poucos e de forma cruel, silenciosamente aos olhos alheios.”

"Olhos que falam"

Olhos que falam - Luigi Zanetti.jpg

                                     SAIBA MAIS SOBRE A OBRA:
“O propósito de "Olhos que falam" é demonstrar a beleza e a expressividade de um olhar, que é capaz de transmitir mensagens sem o uso das palavras. A obra também carrega a naturalidade e a verdade de quem está por trás dos olhos.”

"Devaneios de fim de tarde"

No exato momento em que ela percebe que existem frases e contextos universais: coisas escritas há trezentos anos que cobrem sua alma como roupas tocam seu corpo, sempre presentes, mas raramente conscientes.

Há palavras que tentou encontrar e que ainda desconhecia. 

"Como pode este escritor, alguém de outro tempo, outro lugar, saber tanto sobre mim?!" Pensa e olha para qualquer detalhe na almofada ao Sol. E então ela percebe que não há outro tempo, outro lugar, outro alguém.

Tudo está lá.

Porque, no fundo, o tempo, o lugar, as frases, os contextos, as outras pessoas e a almofada ao Sol são... Ela.

E é infinito.

E é justamente quando o infinito começa a tomar forma em seu consciente que a perna parece formigar, a brisa perturba os cabelos, os cabelos interferem na visão, e o Sol queima a pele.

Ela olha para cima e abre os olhos...

E o infinito adormece.

                                     SAIBA MAIS SOBRE A OBRA:
“Devaneios de fim de tarde” é, como o título propõe, a descrição de um dos muitos momentos em nossas vidas que alguma poderosa palavra ou frase desperta qualquer coisa que adormece durante a correria do cotidiano. Aquele momento fugaz em que tudo parece fazer sentido, mas que basta tentarmos explicar o que é que faz “tanto sentido” para que o momento nos fuja, como se nunca tivesse sido de fato nosso. Um pequeno texto escrito durante um desses devaneios que me visitaram no fim de uma tarde qualquer.”

"Conciliação, Diálogo, Entrelaço, Explícito"

                                     SAIBA MAIS SOBRE A OBRA:
“Conciliação - Poesia. Essa poesia sem estrutura bem definida, bem como muitos de nossos diálogos, é sobre se ver de novo a partir da escuta atenta do outro que se traduz também em uma resposta adequada de outrem. É sobre aquela conversa gostosa quando estamos aflitos demais, afoitos demais e o outro, quem quer que ele seja, nos escuta com carinho e dedicação e sabe quebrar nossas defesas e anseios e acaba transformando nossas perspectivas. São atos singelos de cura pela palavra e a conciliação nem sempre é com o outro é consigo mesmo.
Diálogo, Entrelaço, Explícito - Poesia (haicai).Essa sequência de três haicais foi confeccionada como uma obra única, a ideia era criar significados sensíveis sobre o poder da fala através de um jogo de palavras, imagens e metáforas com uma sonoridade agradável, utilizando um léxico médico permeado de subjetividade. Os títulos apesar de se relacionarem com cada um dos haicais específicos podem ser lidos como frase: Diálogo, entrelaço, explícito! Haikai ou Haiku é um gênero de poesia japonesa com forma fixa e sintética, possui três versos e estrutura silábica específica, muitos autores brasileiros escreveram haicais fantásticos subvertendo ou não, sua forma.”

"Caduceu"

"[à escrivaninha]

....

 

Mal lúgubre que consome e aperta o peito

e apaga o belo soar dos nomes.

...

 

“a obra de arte eficaz deixa o silêncio

em seu rastro”, leio quieto

esse sussurro nefasto;

..

 

no entanto, em era de ode a sujeitos casmurros

clamo por um deus supersônico

que zuna e, como uma musa, inspire

o vomitar dos sentimentos duros,

.

 

tal qual Hermes, patrono da fala

com seu caduceu de brilho argênteo,

que ilumina os cantos obscuros da alma

desatando os nós do silêncio:

amargo suplício de luas em gêmeos "

                                     SAIBA MAIS SOBRE A OBRA:
“O caduceu, nome que dá título ao poema, é um artefato utilizado por Hermes na mitologia grega e um símbolo comumente associado à medicina. Aqui, ele representa a possibilidade de cura por meio da palavra; um embate entre o silêncio que se torna bem-visto e a fala que se faz necessária. Em “Caduceu”, os silenciamentos representados pelos sinais gráficos também dizem, ou melhor, expressam a ausência da fala, elemento este que, não obstante o árduo e vital embate entre o que se diz e o que se cala, carece somente de um pequeno estímulo para que se faça vitorioso.”

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Concurso Cultural 

OBRAS

"O que te faz respirar?"

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